Do corte original de duas horas e meia ao improviso que criou uma das cenas mais famosas dos anos 80, descubra 15 curiosidades sobre Clube dos Cinco, clássico de John Hughes que marcou uma geração.
Sobre o filme:
- Ano: 1985
- Direção: John Hughes
- Roteiro: John Hughes
- IMDb: 7,8/10
- Elenco: Emilio Estevez, Judd Nelson, Molly Ringwald, Anthony Michael Hall, Ally Sheedy e Paul Gleason
- Oscar: Não recebeu indicação
- Duração: 1h37min
- Gênero: Comédia, drama e amadurecimento
Poucos filmes conseguiram traduzir tão bem as angústias, inseguranças e contradições da adolescência quanto Clube dos Cinco. Lançado em 1985, o filme de John Hughes reúne cinco estudantes completamente diferentes que são obrigados a passar um sábado inteiro em detenção na escola. Aos poucos, porém, os estereótipos começam a desaparecer e os personagens percebem que existe muito mais em comum entre eles do que imaginavam.
No grupo estão Claire Standish, a garota popular interpretada por Molly Ringwald; John Bender, o rebelde vivido por Judd Nelson; Andrew Clark, o atleta de Emilio Estevez; Brian Johnson, o estudante brilhante de Anthony Michael Hall; e Allison Reynolds, a jovem isolada interpretada por Ally Sheedy. A grande força do roteiro está justamente em transformar esses arquétipos em adolescentes complexos, com problemas familiares, inseguranças e expectativas que ultrapassam os rótulos impostos pela escola.
Mais de quatro décadas depois, Clube dos Cinco continua sendo um dos grandes clássicos do cinema adolescente dos anos 80. O filme foi preservado no National Film Registry da Biblioteca do Congresso em 2016 por sua importância cultural, histórica ou estética, consolidando uma reputação que vai muito além da nostalgia.
Mas como John Hughes conseguiu transformar uma história aparentemente simples em um filme tão influente? Por que o longa quase foi muito maior? Quais atores poderiam ter interpretado os personagens? E como uma música do Simple Minds acabou se tornando praticamente um segundo título para o filme? A seguir, reunimos 15 curiosidades sobre Clube dos Cinco que ajudam a explicar por que o filme continua tão especial.
Clube dos Cinco originalmente teria duas horas e meia
Uma das maiores curiosidades sobre Clube dos Cinco está justamente naquilo que o público nunca chegou a ver. John Hughes originalmente imaginou um filme com aproximadamente duas horas e meia de duração, muito maior do que os 97 minutos que chegaram aos cinemas em 1985.
Grande parte desse material foi cortada durante a pós-produção. Hughes chegou a afirmar que possuía uma cópia completa do filme, enquanto diversas cenas foram retiradas da versão que chegou aos cinemas. Entre os materiais eliminados estavam sequências que desenvolviam ainda mais o futuro dos cinco personagens e situações que aprofundavam o comportamento de cada adolescente.
A existência desse material ajuda a entender por que Clube dos Cinco parece, em alguns momentos, ter uma história muito maior acontecendo fora da tela. Décadas depois, parte desse conteúdo pôde ser conhecida por meio de lançamentos especiais, incluindo aproximadamente 50 minutos de cenas deletadas e estendidas disponibilizadas em uma edição especial do filme.
O filme quase teve outro título

Antes de se tornar The Breakfast Club, o filme passou por outras possibilidades de título. Uma das mais conhecidas foi The Lunch Bunch, nome associado ao conceito inicial da história e ao ambiente escolar em que os personagens passariam boa parte da narrativa.
O título definitivo surgiu depois que Hughes ouviu a expressão “The Breakfast Club” sendo utilizada por estudantes de outra escola para se referir a uma espécie de grupo de detenção. A expressão chamou a atenção do diretor porque carregava uma identidade própria e parecia representar melhor aquele grupo de adolescentes reunidos em uma manhã de sábado.
Outros títulos também circularam durante o desenvolvimento do projeto, incluindo Library Revolution, referência ao espaço em que a maior parte da história acontece. No fim, “The Breakfast Club” acabou prevalecendo e se tornou tão associado ao filme que hoje parece impossível imaginar a produção com outro nome.
John Hughes escreveu o roteiro em apenas dois dias
Embora o resultado final pareça cuidadosamente construído em cada diálogo, John Hughes escreveu o roteiro de Clube dos Cinco em um período surpreendentemente curto. Segundo registros de bastidores, o cineasta escreveu o primeiro roteiro em apenas dois dias, nos dias 4 e 5 de julho de 1982.
A velocidade impressiona ainda mais porque o filme depende quase inteiramente de conversas. Não existe uma grande aventura, uma perseguição ou uma estrutura tradicional de ação capaz de conduzir a narrativa. O que mantém o espectador interessado são os personagens, seus conflitos e a maneira como as conversas vão revelando aquilo que existe por trás de cada estereótipo.
Essa característica se tornou uma das marcas de Hughes. Em vez de tratar adolescentes como personagens simplificados, o diretor e roteirista procurava entender como eles enxergavam a família, a escola, os amigos e a própria identidade. É justamente essa abordagem que permitiu que Clube dos Cinco continuasse funcionando para diferentes gerações mesmo décadas depois de seu lançamento.
Molly Ringwald queria interpretar Allison, não Claire

Hoje é difícil imaginar Molly Ringwald interpretando outra personagem que não fosse Claire Standish, mas essa não era a primeira configuração planejada para a atriz. Ringwald inicialmente havia sido abordada para interpretar Allison Reynolds, a jovem isolada e considerada estranha pelos outros estudantes.
A atriz, entretanto, queria interpretar Claire. O papel representava uma personagem mais popular e socialmente privilegiada, mas Hughes também percebeu que Ringwald possuía as características certas para dar profundidade à garota que inicialmente parece apenas uma adolescente mimada e superficial.
A troca acabou sendo fundamental para o equilíbrio do elenco. Ringwald trouxe para Claire uma vulnerabilidade que impede a personagem de ser apenas “a garota popular”, enquanto Ally Sheedy encontrou em Allison uma oportunidade de construir uma das figuras mais peculiares do filme. Durante o processo de escalação, nomes como Jodie Foster, Diane Lane e Laura Dern também estiveram associados ao papel de Claire.
Jodie Foster esteve entre as atrizes consideradas para Claire
Antes de Molly Ringwald assumir definitivamente o papel de Claire Standish, diversas jovens atrizes foram consideradas para a personagem. Entre os nomes ligados ao processo estava Jodie Foster, que já possuía uma carreira bastante respeitada apesar de sua pouca idade.
Foster vinha de trabalhos importantes no cinema e já havia demonstrado uma maturidade incomum para uma atriz tão jovem. Sua presença em filmes como Taxi Driver havia estabelecido uma imagem muito diferente daquela que Ringwald levaria para Clube dos Cinco, o que mostra como Hughes considerou possibilidades bastante variadas antes de definir o elenco.
A escolha de Ringwald acabou funcionando especialmente bem porque ela já possuía uma relação profissional com Hughes. Os dois haviam trabalhado juntos em Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles, 1984), e a atriz rapidamente se tornou uma das figuras mais associadas ao cinema adolescente produzido pelo diretor durante os anos 80.
Anthony Michael Hall impressionou Stanley Kubrick
Depois de assistir ao trabalho de Anthony Michael Hall, Stanley Kubrick demonstrou interesse em contratar o ator para Nascido para Matar (Full Metal Jacket, 1987). Kubrick era conhecido por seu processo extremamente cuidadoso de seleção de elenco, e o interesse pelo jovem ator mostra o impacto que sua atuação havia causado naquele período.
Hall estava se tornando um dos rostos mais conhecidos da geração de atores adolescentes de Hollywood. Em Clube dos Cinco, ele interpretava Brian Johnson, o estudante extremamente inteligente que carrega uma enorme pressão familiar e acadêmica, personagem que permitia ao ator demonstrar uma dimensão muito maior do que simplesmente a do “nerd” da escola.
O papel de Joker em Nascido para Matar acabou ficando com Matthew Modine, e a decisão de Hall de não participar do filme de Kubrick se tornou um dos grandes “e se?” de sua carreira. A curiosidade também demonstra como Clube dos Cinco ajudou a chamar a atenção de cineastas que enxergavam naquele elenco adolescente um potencial que ia muito além das comédias escolares.
A Universal inicialmente queria outro tipo de filme adolescente
Quando John Hughes apresentou Clube dos Cinco, a ideia não correspondia exatamente ao modelo de comédia adolescente que Hollywood estava acostumada a produzir. O estúdio esperava elementos mais convencionais do gênero, enquanto Hughes queria concentrar a narrativa nas conversas, nos conflitos pessoais e nas relações entre os cinco estudantes.
Essa diferença de expectativas poderia ter alterado completamente o filme. Produções adolescentes da época frequentemente exploravam festas, romances, situações sexuais e humor mais explícito, enquanto Hughes queria fazer algo muito mais concentrado na experiência emocional dos personagens.
O resultado acabou sendo justamente uma das características que diferenciaram Clube dos Cinco. Ao colocar cinco adolescentes presos em uma biblioteca durante um sábado, Hughes transformou uma situação aparentemente banal em uma espécie de laboratório social, onde cada personagem começa a questionar o próprio rótulo e também a maneira como enxerga os outros.
Judd Nelson permaneceu no personagem até fora das câmeras

A relação entre Judd Nelson e Molly Ringwald durante as filmagens ficou famosa por um motivo bastante peculiar. Nelson interpretava John Bender como um personagem agressivo e provocador, e decidiu manter parte desse comportamento mesmo quando as câmeras estavam desligadas.
A atitude incomodou Ringwald e chegou a preocupar John Hughes. Segundo relatos registrados sobre a produção, o diretor chegou a considerar demitir Nelson por causa do comportamento do ator, mas Paul Gleason, que interpretava o diretor Richard Vernon, defendeu o colega e argumentou que Nelson estava tentando permanecer dentro do personagem.
Embora a técnica tenha criado tensão no set, ela também contribuiu para a dinâmica entre Bender e os outros personagens. Nelson levou a personalidade agressiva de Bender para várias situações fora das cenas, criando um ambiente em que a hostilidade do personagem parecia mais espontânea. Décadas depois, essa história continua sendo uma das curiosidades mais conhecidas dos bastidores do filme.
Judd Nelson chegou a se infiltrar em uma escola
Judd Nelson levou sua preparação para John Bender a um nível bastante peculiar. Durante as filmagens, o ator teria se infiltrado em uma escola secundária próxima ao local da produção e convencido estudantes de que era realmente um aluno.
Nelson tinha 24 anos na época, o que tornava a situação ainda mais curiosa. Segundo o relato associado à produção, ele chegou a comprar cerveja para alguns estudantes utilizando uma identidade falsa e depois pediu que o levassem de volta ao hotel onde o elenco estava hospedado.
A história combina perfeitamente com a personalidade de Bender, embora seja importante separar o ator do personagem. Nelson estava utilizando aquela experiência como uma espécie de brincadeira e observação do comportamento adolescente, enquanto Bender era um personagem criado por Hughes. Ainda assim, a história se tornou uma das anedotas mais divertidas dos bastidores de Clube dos Cinco.
A mãe e a irmã de Brian eram parentes de verdade de Anthony Michael Hall
Uma das curiosidades mais simpáticas de Clube dos Cinco acontece antes mesmo de os cinco estudantes entrarem na biblioteca. A mãe e a irmã de Brian Johnson, personagem de Anthony Michael Hall, são interpretadas por pessoas que também eram sua mãe e sua irmã na vida real.
Mercedes Hall, mãe de Anthony Michael Hall, interpreta a mãe de Brian, enquanto Mary Christian, irmã do ator, aparece como sua irmã. A escolha cria uma pequena camada de autenticidade em uma sequência que estabelece imediatamente a enorme pressão acadêmica exercida sobre o personagem.
O detalhe também reforça a proximidade de Hall com o universo de John Hughes. O ator já havia trabalhado com o diretor em Gatinhas e Gatões e rapidamente se tornou uma das figuras centrais do cinema adolescente dos anos 80. No elenco oficial, Mercedes Hall aparece como a mãe de Brian e Mary Christian como sua irmã.
John Hughes aparece no próprio filme
John Hughes não ficou apenas atrás das câmeras em Clube dos Cinco. O diretor faz uma pequena participação não creditada como o pai de Brian Johnson, aparecendo no final do filme para buscar o filho depois da detenção.
É uma participação extremamente rápida e que pode passar despercebida, especialmente porque Hughes não era uma figura conhecida do grande público como ator. O momento, entretanto, virou uma espécie de assinatura pessoal do diretor dentro de um dos filmes mais importantes de sua carreira.
A aparição também fecha o arco de Brian de uma maneira curiosa. Durante praticamente todo o filme, o personagem fala sobre a pressão que sofre em casa e sobre a necessidade de corresponder às expectativas acadêmicas. No final, seu pai aparece rapidamente, completando a família que havia sido apresentada no começo da história.
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A cena em que os cinco contam seus problemas não estava no roteiro
Uma das cenas mais importantes de Clube dos Cinco acontece quando os cinco estudantes deixam de lado as provocações e começam a conversar sobre os motivos que os levaram à detenção. O momento parece cuidadosamente planejado, mas a estrutura da conversa nasceu justamente da liberdade dada por John Hughes aos atores.
A sequência em que eles se sentam no chão da biblioteca e contam histórias pessoais não estava originalmente roteirizada daquela maneira. Hughes pediu que o elenco improvisasse e permitiu que os atores contribuíssem com elementos próprios para seus personagens.
O resultado é uma das passagens mais humanas do filme. Em vez de parecer uma exposição artificial de informações, a conversa transmite a sensação de que aqueles adolescentes estão realmente descobrindo uns aos outros. Hughes também era conhecido por aceitar contribuições dos atores, e algumas improvisações acabaram entrando definitivamente na versão final.
“Don’t You (Forget About Me)” quase foi gravada por outros artistas
É impossível falar de Clube dos Cinco sem mencionar “Don’t You (Forget About Me)”, do Simple Minds. A música abre e encerra o filme e acabou se tornando uma das canções mais associadas ao cinema dos anos 80, mas o Simple Minds não foi a primeira opção para gravá-la.
A música foi composta por Keith Forsey e Steve Schiff especificamente para o filme e chegou a ser oferecida a outros artistas, incluindo Bryan Ferry e Billy Idol, antes de chegar ao Simple Minds. A banda inicialmente não demonstrou grande entusiasmo pela ideia, mas acabou aceitando gravar a canção depois de ser convencida por diferentes pessoas envolvidas no projeto.
Até mesmo o famoso “la la la” do final nasceu de maneira inesperada. O vocalista Jim Kerr improvisou aquele trecho porque ainda não tinha uma letra definitiva para a parte final, mas Keith Forsey gostou do resultado e insistiu para que permanecesse na gravação. O improviso acabou se transformando em uma das partes mais reconhecíveis da música.
A dança final quase foi completamente diferente

A sequência em que os cinco personagens dançam pela biblioteca é uma das imagens mais reconhecíveis de Clube dos Cinco, mas a ideia original era muito mais simples. O roteiro previa inicialmente que Claire dançasse sozinha, já que a sequência deveria destacar a personagem de Molly Ringwald.
Ringwald, entretanto, não se sentiu confortável com a ideia de realizar a dança sozinha. Hughes decidiu então transformar a situação e envolver todo o elenco, criando uma sequência coletiva que acabou se tornando uma das marcas visuais do filme.
A mudança demonstra como algumas das cenas mais lembradas de Clube dos Cinco nasceram da interação entre diretor e elenco. O resultado também combina com a transformação narrativa do filme: os cinco personagens começam separados por seus estereótipos, mas terminam compartilhando um momento que visualmente representa a aproximação entre eles.
A escola de Clube dos Cinco também aparece em Curtindo a Vida Adoidado

Grande parte da história de Clube dos Cinco acontece dentro da Shermer High School, uma escola fictícia localizada no subúrbio de Chicago. O cenário, entretanto, não foi criado inteiramente em um estúdio: a produção utilizou uma escola real chamada Maine North High School, em Des Plaines, Illinois.
O prédio já estava fechado quando as filmagens aconteceram e acabou sendo transformado no principal espaço do filme. Como a biblioteca real não possuía as dimensões necessárias para acomodar toda a produção, a equipe construiu uma versão maior dentro do ginásio da escola, reproduzindo o ambiente necessário para a história.
O local também ficou famoso entre os fãs de John Hughes porque a mesma escola foi utilizada em Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986). A conexão é ainda mais interessante porque Hughes utilizou repetidamente o fictício Shermer, Illinois, como cenário de suas histórias, criando uma espécie de universo recorrente para seus filmes adolescentes.
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Fonte: IMDB

