Matrix! 15 curiosidades dos bastidores. Preparado?
1 de setembro de 2020Matrix (1999) ainda considerado um impacto no mundo do cinema, mas o que acha de algumas curiosidades? Problemas no no orçamento e Keanu Reeves pendurado em um prédio. São algumas delas.
O filme Matrix continua sendo um dos melhores exemplares de ficção já produzidos. Provavelmente você como fã deve achar que sabe tudo. A verdade é que existem algumas curiosidades, aqueles fatos que não são muito comentados e passam despercebidos. Principalmente para os mais jovens.
O lançamento aconteceu em 1999 e a loucura foi generalizada. Um roteiro inovador com o melhor da ficção e ação, e claro, a criação do efeito bullet-time. Além de um elenco impecável liderado por Keanu Reeves no papel do hacker Neo.
Um clássico sempre guarda segredos, pricipalmente na produção e nas gravações? A seguir estão alguns fatos importantes sobre Matrix (provavelmente) não sabia.
01 – como as Wachowski convenceram a Warner Bros. a apostar no filme?
Quando Lana e Lilly Wachowski ainda trabalhavam no roteiro de Assassinos (1995) para o produtor Joel Silver, apresentaram pela primeira vez a ideia de Matrix. Silver ficou impressionado com o conceito, mas não acreditava que as diretoras tinham experiência para comandar um projeto daquela escala.
Para provar sua capacidade como cineastas, as Wachowski dirigiram Ligadas pelo Desejo (1996), um thriller policial que chamou atenção pela estética ousada e narrativa segura. O sucesso do filme funcionou como um verdadeiro cartão de visitas, ajudando as diretoras a conquistar a confiança da Warner Bros. para assumir a direção de Matrix.
A ideia central do filme havia surgido ainda em 1992, mas o roteiro passou por 14 versões diferentes até atingir o formato ideal. Mesmo assim, o estúdio manteve cautela: embora o orçamento solicitado fosse de US$ 80 milhões, a Warner autorizou inicialmente apenas US$ 10 milhões.
Com esse valor limitado, as Wachowski tomaram uma decisão estratégica. Usaram o dinheiro para filmar os dez primeiros minutos do longa, a icônica cena de abertura com Carrie-Anne Moss, que exigiu seis meses de treinamento e quatro dias de filmagem intensiva. Ao assistir ao material, os executivos ficaram impressionados com o resultado visual e narrativo.
02 – A cena do metrô em Matrix quase comprometeu as filmagens

A icônica cena de luta no metrô protagonizada por Neo (Keanu Reeves) e Agente Smith (Hugo Weaving), foi um dos momentos mais ambiciosos e problemáticos da produção. A sequência ultrapassou o cronograma original em 10 dias, contribuindo para que as filmagens do longa se estendessem muito além do planejado.
Inicialmente, o estúdio previa 90 dias de gravação, mas o projeto acabou sendo concluído apenas após 118 dias, deixando a Warner Bros. apreensiva com os atrasos e os custos crescentes.
A ideia original era filmar a luta em uma estação de metrô real, o que traria ainda mais realismo à sequência. No entanto, devido à complexidade das cenas de ação, ao uso intenso de cabos, dublês e coreografias elaboradas, a produção optou por recriar o ambiente em estúdio.
Para isso, foi construído um cenário completo de estação de metrô ao redor de um antigo depósito de trens, que possuía trilhos reais, permitindo maior controle técnico e segurança durante as filmagens. Essa decisão foi fundamental para viabilizar uma das cenas mais lembradas da história do cinema de ação e ficção científica.
03 – Bullet Time: como o efeito revolucionou o cinema de ação

Para criar o icônico efeito Bullet Time, a equipe precisou desenvolver uma solução técnica inédita no cinema. As câmeras posicionadas ao redor da ação chegaram a capturar até 12 mil quadros por segundo, enquanto o padrão tradicional do cinema trabalha com apenas 24 quadros por segundo.
O resultado foi uma sensação visual completamente nova, permitindo que o tempo “congelasse” enquanto a câmera se movia livremente ao redor dos personagens. O termo Bullet Time acabou se tornando tão marcante que foi oficialmente registrado pela Warner Bros. em 2005.
Nos estágios iniciais do desenvolvimento do efeito, o supervisor de efeitos visuais John Gaeta e o diretor de fotografia Bill Pope tentaram alcançar o resultado de forma prática. Eles construíram estabilizadores e trilhos mecânicos para movimentar a câmera em altíssima velocidade ao redor da ação. No entanto, após inúmeros testes fracassados, incluindo trilhos quebrados e limitações físicas evidentes.
A solução veio com o uso intensivo de computação gráfica, exigindo a criação de um software totalmente novo para sincronizar dezenas de câmeras estáticas e reconstruir o movimento em pós-produção. Mesmo assim, o Bullet Time mantém uma base clássica do cinema: a fotografia estática sequencial, combinada de forma inovadora com tecnologia digital.
Esse avanço não só definiu a identidade visual de Matrix, como também influenciou profundamente o cinema de ação, a publicidade e os videogames nas décadas seguintes.
04 – Keanu Reeves quase ficou fora por causa de uma cirurgia grave
Antes do início da pré-produção de Matrix (1999), Keanu Reeves enfrentou um sério problema de saúde que quase comprometeu sua participação no filme. O ator sofreu uma fusão de dois níveis da coluna cervical, condição que começou a causar paralisia nas pernas e exigiu uma delicada cirurgia no pescoço.
Mesmo ainda em recuperação durante os preparativos do filme, Reeves insistiu em participar dos treinamentos. O renomado coordenador de dublês Yuen Woo-Ping, responsável pelo estilo marcial inovador de Matrix, precisou adaptar os exercícios, permitindo apenas socos e movimentos mais leves, evitando impactos maiores.
Determinando a não perder o papel, Keanu Reeves treinou intensamente, inclusive em dias de folga. No entanto, as limitações físicas impostas pela cirurgia fizeram com que ele não pudesse chutar durante dois dos quatro meses de treinamento, o que explica por que Neo utiliza menos chutes do que outros personagens ao longo do filme.
05 – As referências filosóficas e literárias por trás de Matrix
Desde sua concepção, Matrix (1999) foi pensado como muito mais do que um filme de ficção científica e ação. O longa dirigido pelas irmãs Lana e Lilly Wachowski mergulha profundamente em filosofia, literatura e teoria social, criando uma narrativa que dialoga com séculos de pensamento humano.
Uma das inspirações centrais do filme é a Alegoria da Caverna, de Platão, que aborda a ideia de uma realidade ilusória percebida como verdade absoluta. Esse conceito se reflete diretamente na jornada de Neo ao descobrir que o mundo em que vive é apenas uma simulação. O filme também presta uma clara homenagem a “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, especialmente na noção de atravessar portais simbólicos para despertar em uma nova realidade, algo explicitado nas falas de Morpheus e na famosa metáfora do “coelho branco”.
Além disso, Matrix incorpora referências a pensadores como Karl Marx, Franz Kafka, elementos do Zen-budismo e paralelos narrativos com A Odisseia, de Homero, reforçando o caráter existencial e filosófico da obra.
Entre as referências mais explícitas está o livro “Simulacros e Simulação”, do filósofo francês Jean Baudrillard. A obra aparece visualmente no apartamento de Neo e foi leitura obrigatória para o elenco e a equipe principal durante a produção. O conceito de simulacro, uma cópia sem original é fundamental para a compreensão da Matrix como um sistema que substitui o real por uma representação artificial.
Quando Morpheus apresenta a Neo a verdadeira natureza da Matrix e diz a icônica frase “Bem-vindo ao deserto do real”, ele está parafraseando diretamente Baudrillard. A citação vem do primeiro capítulo de Simulacros e Simulação, no qual o autor discute como o real deixa de existir de forma autêntica, restando apenas fragmentos em meio às simulações.
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06 – Will Smith, Sandra Bullock e os papéis recusados em Matrix

Antes de Keanu Reeves se tornar o rosto definitivo de Neo em Matrix (1999), outros grandes nomes de Hollywood estiveram muito próximos de integrar o elenco. Um dos convites mais famosos foi feito a Will Smith, que recusou o papel de Neo para protagonizar As Loucas Aventuras de James West (1999). A decisão acabou se tornando uma das recusas mais comentadas da história do cinema, especialmente considerando o impacto cultural e comercial que Matrix alcançou.
Além disso, Val Kilmer chegou a ser cogitado para interpretar Morpheus, personagem cujo nome faz referência direta ao deus dos sonhos da mitologia grega. O papel, no entanto, acabou ficando com Laurence Fishburne, cuja atuação se tornaria um dos pilares do filme.
Outro nome que quase entrou para o universo de Matrix foi Sandra Bullock, convidada para viver Trinity. A atriz recusou a proposta por acreditar que Will Smith estaria no elenco, algo que acabou não se confirmando. Anos depois, Bullock declarou arrependimento, já que o papel teria marcado sua reunião com Keanu Reeves, seu par romântico em Velocidade Máxima (1994).
Durante o processo de escalação, Gary Oldman e Samuel L. Jackson também foram considerados para o papel de Morpheus, mostrando como o filme passou por diversas possibilidades antes de chegar ao elenco definitivo que entrou para a história.
07 – os bastidores da icônica cena do resgate de Morpheus
A cena do resgate de Morpheus é considerada uma das sequências de ação mais ambiciosas do cinema dos anos 90 e isso começa muito antes das câmeras rodarem. O planejamento dessa sequência levou seis meses, um tempo incomum até mesmo para grandes produções de Hollywood, reforçando o cuidado técnico e criativo dos irmãos Wachowski.
As filmagens aconteceram em Sydney, na Austrália, e exigiram mudanças reais na legislação local. Para permitir que o helicóptero cruzasse áreas de espaço aéreo restrito, as leis do estado de New South Wales precisaram ser temporariamente alteradas, algo raríssimo e que demonstra a escala da produção de Matrix.
O helicóptero utilizado na sequência era, na verdade, uma maquete leve em tamanho real, construída especialmente para as filmagens. Apenas as hélices foram adicionadas digitalmente na pós-produção, garantindo realismo sem comprometer a segurança do elenco e da equipe.
Outro detalhe que torna essa cena ainda mais revolucionária é o uso extensivo de efeitos visuais em computação gráfica. Diferente do padrão da época, que ainda apostava fortemente em miniaturas físicas, Matrix utilizou CGI como principal ferramenta visual, antecipando uma mudança definitiva na indústria. Curiosamente, a única miniatura real usada no filme inteiro foi justamente o helicóptero.
08 – O construto e o set branco que desorientava os atores

As cenas do construto em Matrix (1999) foram filmadas em um ambiente totalmente branco e intensamente iluminado, criado para representar o espaço de simulação onde Morpheus treina Neo. A iluminação era tão forte que os atores simplesmente não conseguiam enxergar a junção entre o chão e as paredes, o que causava uma sensação real de desorientação durante as gravações.
Segundo o editor Zach Staenberg, responsável pela montagem do filme, atuar naquele cenário era uma experiência “bizarra”, já que o espaço eliminava completamente qualquer referência visual tradicional.
Esse efeito não apenas reforçou o conceito filosófico da Matrix como uma realidade artificial, mas também ajudou a criar o clima abstrato e inquietante que se tornou uma das marcas mais reconhecíveis do filme.
09 – As influências de anime e cinema experimental na criação de Matrix
John Gaeta, supervisor de efeitos visuais vencedor do Oscar por Matrix (1999), revelou que suas principais inspirações vieram do anime japonês Akira, de Otomo Katsuhiro, e do estilo visual inventivo do cineasta Michel Gondry. Essas referências ajudaram a moldar a linguagem visual inovadora do filme, especialmente nas cenas que misturam realidade, simulação e movimentos impossíveis de câmera.
As Wachowski também citaram diretamente o mangá e o longa-metragem O Fantasma do Futuro (Ghost in the Shell, 1995) como influências centrais no desenvolvimento de Matrix. A obra japonesa foi fundamental para a construção de temas como identidade digital, consciência artificial, corpos conectados à tecnologia e a estética cyberpunk que se tornaria uma das marcas registradas do filme.
10 – Keanu Reeves levou o realismo ao limite
Keanu Reeves levou o compromisso com o realismo a um nível extremo. Na icônica cena em que Neo conversa com Morpheus ao telefone no prédio da Meta CORTEX, o ator realmente ficou do lado de fora do edifício, a uma altura equivalente a 34 andares. A decisão de gravar a sequência sem truques digitais reforçou a sensação de perigo real e ajudou a tornar a cena uma das mais tensas do filme.
Já nas cenas em que Neo desperta no mundo real, Reeves passou por uma transformação física intensa. Para transmitir a fragilidade do personagem recém-desconectado da Matrix, o ator perdeu cerca de 7 quilos e raspou todos os pelos do corpo, incluindo as sobrancelhas. O resultado foi um visual marcante, que ajudou a diferenciar claramente o mundo artificial da dura realidade apresentada no longa.
11 – Carrie-Anne Moss e Trinity: Treinamento Intenso e Bastidores

Carrie-Anne Moss passou por um treinamento físico intenso de seis meses, focado em artes marciais, acrobacias com cabos e coreografias de luta extremamente técnicas. O objetivo era garantir realismo total nas cenas de ação, algo que se tornaria uma das marcas registradas do filme.
O nome Trinity não foi escolhido por acaso. Ele funciona como uma referência simbólica à trindade religiosa, formada por Morpheus (o “Pai”), Neo (o “Filho”) e a própria Trinity, que representa o elo espiritual da narrativa. Essa construção reforça a forte carga filosófica e mitológica presente em Matrix.
Carrie-Anne Moss realizou todas as cenas iniciais de Trinity, além da maior parte das acrobacias com cabos ao longo do filme, algo incomum para produções de ação da época. Durante as gravações, a atriz chegou a torcer o tornozelo em uma cena, mas optou por não avisar a equipe até o encerramento das filmagens, temendo ser substituída no papel.
12 – Óculos e celulares de Matrix: como o visual high-tech virou ícone do cinema
A identidade visual de Matrix (1999) foi cuidadosamente pensada para reforçar o clima futurista e filosófico do filme, e os óculos escuros e celulares desempenharam um papel fundamental nisso. A marca responsável pelos óculos foi a Blinde, que venceu uma concorrência direta com gigantes como Ray-Ban e Arnette para assumir o projeto.
O fundador da empresa, Richard Walker, projetou pessoalmente os óculos de sol personalizados de Matrix, criando modelos exclusivos para cada personagem. Cada design foi desenvolvido a partir do nome, personalidade e função narrativa de figuras como Neo, Morpheus e Trinity, ajudando a consolidar o visual minimalista e atemporal.
Outro detalhe icônico é o celular Nokia 8110, utilizado pelos personagens para se conectar à Matrix. No modelo original, o aparelho não possuía o famoso mecanismo de mola que faz a tampa deslizar automaticamente. Esse efeito foi criado exclusivamente para o filme, como uma adaptação cenográfica.
O sucesso visual foi tão grande que a Nokia incorporou esse recurso no Nokia 7110, lançado posteriormente. Isso gerou uma confusão comum entre fãs, que passaram a acreditar erroneamente que o celular usado em Matrix era o 7110, quando na verdade o modelo original em cena era o Nokia 8110 modificado.
13 – o vômito real de Keanu Reeves

Uma das cenas mais impactantes de Matrix (1999) acontece logo após Neo ser desplugado da Matrix, quando o personagem passa mal e vomita dentro da nave. O que poucos fãs sabem é que esse momento não estava previsto no roteiro original.
Durante as filmagens, Keanu Reeves passou mal de verdade após comer algo que não caiu bem. Em vez de interromper a gravação, a equipe decidiu manter a reação real do ator, incorporando o vômito à narrativa do filme. O resultado foi uma cena ainda mais crua e realista, que reforça o choque físico e psicológico de Neo ao despertar para o “mundo real”.
Essa decisão ajudou a intensificar o impacto da sequência, tornando o momento mais visceral e memorável para o público. É um exemplo clássico de como improvisos e acidentes de bastidores em Matrix acabaram contribuindo para a força dramática do filme e para a imersão do espectador na jornada do personagem.
14 – Oscar, recordes e o impacto histórico do filme
Consolidou como um dos filmes mais premiados e influentes da história do cinema moderno. A produção dirigida pelas irmãs Wachowski conquistou quatro estatuetas do Oscar, vencendo em todas as categorias para as quais foi indicada naquele ano: Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.
Ao todo, Matrix recebeu 51 indicações a prêmios internacionais, transformando 42 delas em vitórias, um número impressionante que reforça seu impacto técnico e artístico. O longa entrou para a história do Oscar 2000 como o filme que venceu todas as categorias técnicas em que concorreu, um feito raro e marcante.
Outro dado que chama atenção é que Matrix detém o recorde de maior número de vitórias no Oscar para um filme que não foi indicado à categoria de Melhor Filme. Mesmo sem disputar o prêmio principal da noite, o longa redefiniu os padrões de efeitos visuais, montagem e design de som, influenciando gerações de cineastas e produções de ação e ficção científica.
15 – bilheteria, ranking mundial e o impacto de um clássico original da ficção científica
Um dos grandes sucessos de bilheteria do cinema no final dos anos 90, seu desempenho comercial garantiu ao longa um lugar de destaque entre os filmes mais lucrativos do ano, arrecandando mundialmente $463,517,383, ao mesmo tempo em que redefiniu os rumos do gênero.
No levantamento das 11 maiores bilheterias mundiais de 1999, Matrix aparece na 4ª posição. O ranking daquele ano foi liderado por Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, seguido por O Sexto Sentido e Toy Story 2, Matrix, Tarzan, Um Lugar Chamado Notting Hill, Beleza Americana, Noiva em Fuga, Stuart Little, À Espera de um Milagre e A Bruxa de Blair.
O desempenho de Matrix se torna ainda mais impressionante quando analisado dentro desse contexto. Diferente de continuações ou adaptações de marcas já conhecidas, o filme apresentou um universo totalmente original e rapidamente se transformou em referência cultural.
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Fonte: IMDB


