Highlander – O Guerreiro Imortal (1986): só pode haver um
22 de dezembro de 2025Entre trovões, espadas, cabeças decepadas e uma trilha sonora épica do Queen, Highlander – O Guerreiro Imortal se tornou um dos filmes mais marcantes dos anos 80.
Lançado em 1986 e dirigido por Russell Mulcahy e com um roteiro original de Gregory Widen, Highlander – O Guerreiro Imortal provocou reações ambíguas: nem todos os espectadores entenderam seu visual estilizado ou sua mitologia complexa.
O filme, foi lançado com um orçamento estimado em US$ 19 milhões, mas arrecadou apenas US$ 12,9 milhões mundialmente, o que o colocou entre os fracassos de bilheteria da época. Lembrando que foi lançado em meio a outros clássicos dos anos 80, como Top Gun e Aliens.
Curiosamente, com o tempo, se tornou referência cultural e icônico na cultura pop, graças ao seu visual singular, trilha sonora marcante e uma frase que virou legado: “só pode haver um”.
Leia também:
A ETERNIDADE TEM UM PREÇO
O filme apresenta Connor MacLeod (Christopher Lambert), um guerreiro escocês do século XVI que descobre ser imortal após sobreviver a uma ferida fatal em batalha. Expulso de sua aldeia por ser considerado amaldiçoado, Connor é treinado por Ramírez (Sean Connery), outro imortal que o ensina sobre a origem e o propósito de sua condição.
Os imortais vivem espalhados pelo mundo, esperando o momento do “Encontro”, um confronto final onde “só pode haver um”. A cada duelo, quando um imortal derrota outro, ele absorve a energia e o conhecimento de seu oponente, um fenômeno conhecido como “O Prêmio”.
Mas à medida que os séculos passam, Connor precisa enfrentar o temível Kurgan (Clancy Brown), um guerreiro brutal determinado a conquistar o poder absoluto. É uma batalha que mistura passado e presente, conduzindo o espectador de campos medievais à Nova York dos anos 80.
LAMBERT, CONNERY E O MITO

A química entre Christopher Lambert e Sean Connery é um dos grandes trunfos de Highlander (1986). No papel de Ramírez, Connery injeta humor, carisma e uma nobreza quase mítica à narrativa, funcionando como o mentor clássico que guia o protagonista não apenas no combate, mas também na compreensão do fardo da imortalidade. Sua presença ajuda a equilibrar o tom épico e filosófico do filme, tornando os conceitos mais acessíveis ao público.
Lambert, por sua vez, constrói um Connor MacLeod melancólico e introspectivo, um herói marcado pela solidão e pela impossibilidade de envelhecer ao lado de quem ama. Diferente dos protagonistas de ação típicos dos anos 80, MacLeod carrega um peso emocional constante, refletido em sua postura contida e olhar distante.
Nos bastidores, essa dinâmica ganha contornos curiosos. Sean Connery gravou todas as suas cenas em apenas sete dias, recebendo um cachê milionário, um investimento que se justifica pelo impacto duradouro do personagem.
Já Christopher Lambert, que mal falava inglês na época das filmagens, transformou a limitação em recurso criativo: o sotaque peculiar de MacLeod nasceu como uma mistura intencional de diferentes idiomas, reforçando a ideia de um homem que atravessou séculos e viveu em diversas partes do mundo.
Kurgan: a personificação do lado sombrio da imortalidade

O vilão Kurgan, interpretado por Clancy Brown, é mais do que um simples antagonista, o personagem representa o lado mais sombrio da imortalidade, aquele que atravessa séculos sem empatia, moral ou propósito além da destruição.
A atuação de Clancy Brown é marcada por um exagero calculado, que mistura brutalidade física, sarcasmo e uma presença ameaçadora constante. Essa escolha dá ao Kurgan uma aura quase mítica, fazendo com que cada aparição em cena carregue tensão e imprevisibilidade.
Visualmente, o Kurgan também se destaca dentro do cinema dos anos 80. Seu figurino com influências punk, o olhar enlouquecido e a postura predatória ajudam a reforçar a ideia de um imortal que perdeu qualquer vínculo com a humanidade. Diferente de outros vilões da época, o Kurgan não possui motivações complexas ou conflitos internos: ele é movido exclusivamente pela sede de poder e pelo desejo de vencer o Jogo.
Essa oposição direta entre o Kurgan e Connor MacLeod fortalece o subtexto filosófico de Highlander. Enquanto o protagonista busca sentido, amor e identidade ao longo dos séculos, o vilão mostra que a imortalidade também pode amplificar o pior lado do ser humano.
UMA TRILHA IMORTAL
Nada em Highlander seria o mesmo sem a trilha sonora do Queen. Canções como “Who Wants to Live Forever” e “Princes of the Universe” se tornaram inseparáveis do filme, verdadeiros hinos da imortalidade.
Freddie Mercury e companhia compuseram as músicas especialmente para a produção, e o resultado foi tão marcante que inspirou o álbum A Kind of Magic (1986), uma das fases mais criativas da banda.
As guitarras, as batidas e as letras ecoam o tom do filme: trágico, grandioso e cheio de energia. Poucos longas conseguiram unir tão bem música e narrativa de forma tão emocional.
Leia também:
O LEGADO DOS IMORTAIS
Dirigido por Russell Mulcahy, que vinha do universo dos videoclipes, o filme é visualmente arrebatador. Os ângulos ousados, os cortes rápidos e o uso de iluminação neon transformam Highlander em uma verdadeira pintura em movimento.
Mesmo com orçamento limitado, Mulcahy criou um mundo visual que parecia maior que a própria tela. E é isso que o torna atemporal a capacidade de ser ao mesmo tempo épico e íntimo, brutal e poético.
Embora não tenha sido um sucesso imediato de bilheteria, Highlander conquistou status de cult nos anos seguintes. Gerou continuações, uma série de TV de enorme sucesso nos anos 90 (Highlander: The Series), animações, quadrinhos e até videogames.
A frase “There can be only one” (“Só pode haver um”) se tornou uma das mais icônicas do cinema, repetida por fãs do mundo todo.
POR QUE ASSISTIR HIGHLANDER HOJE?

Rever Highlander – O Guerreiro Imortal é voltar a um período em que o cinema apostava na criatividade e na ousadia. Mesmo com efeitos que denunciam sua época, o filme continua poderoso, sustentado por emoções genuínas. É impossível não se comover com Who Wants to Live Forever, não vibrar com os duelos e não se deixar envolver por essa combinação marcante de ação, música e sentimento.
Em meio à era dos reboots e dos universos compartilhados, Highlander surge como um lembrete de que grandes histórias atravessam o tempo. Afinal… só pode haver um.
Dicas de post:
Fonte: IMDB


