Como o Demolidor e o Netflix redefiniram a forma de assistir seriados


Introdução…

Existe um risco em assistir a 2ª temporada de Demolidor. O risco é mudar toda a sua percepção de como seriados deveriam ser produzidos. Um despertar, e como todos os outros, merece um momento de contemplação.

A questão é: O que fazer agora? Não acredito que a Marvel/Netflix tinham uma clareza de como as produções iriam afetar toda a indústria. Pulamos de um formato que envolve em media 22 episódios e roteiros preparados para enrolar, para um produto dinâmico e com um nível de qualidade que supera muitas produções cinematográficas.

Um terreno onde não é necessário se preocupar com a classificação, com produtos direcionados para família ou muito menos um conteúdo estruturado para os anunciantes. O Netflix foi capaz de enfrentar todo um sistema e provar que a unica ferramenta necessária é a criatividade.

O efeito demolidor…

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Talvez você ache que não seja possível comparar um filme com um seriado, mas é possível. Evidente que alguns filmes da Marvel estão mais preocupados com o impacto visual do que com um roteiro bem trabalhado, um dos motivos do sucesso e saber dosar tudo isso. A questão é que o Demolidor consegue ultrapassar essas barreiras e criar algo novo.

Os limites criativos foram demolidos, foram entregues personagens bem definidos e com profundidade. Existe uma preocupação com o roteiro e as atuações. Se você comparar a complexidade e a maturidade dos personagens do Demolidor com outros seriados, chega ser doloroso.

Alguém questionaria se personagens como Demolidor, Justiceiro, Jessica Jones e Luke Cage surgissem no cinema? A qualidade é a mesma, diferente de Agents of S.H.I.E.L.D. ou qualquer outro herói adaptado em um formato ultrapassado.

O nível das atuações…

Além de ser um fã e ficar muito animado quando uma personagem dos quadrinhos ganha uma versão live-action, outro detalhe importante é a qualidade das atuações. Não adianta toda uma estrutura se o primordial é deixado de lado. Esse é mais um ponto que questiono sobre o pacote convencional contra o modelo mais dinâmico.

Não estou falando de uma indicação ao Oscar, mas tem momentos que a necessidade para a produção de cada vez mais episódios, compromete a qualidade das interpretação. Os atores entram no automático e isso não tem um resultado muito bom.

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Charlie Cox não é apenas um ótimo Demolidor, a sua interpretação de Matt Murdock é tão importante como as cenas de ação. O julgamento de Frank Castle (Jon Bernthal), foi um dos melhores momentos da segunda temporada. Elden Henson e Deborah Ann Woll, sem estrelar uma única cena de ação, conseguiram transformar Foggy Nelson e Karen Page em personagens importantes na série.

Os vilões…

Um dos problemas das adaptações de filmes baseados em quadrinhos é o nível questionável dos vilões. São pouco que merecem destaque. Alguns são negligenciados e os bons que aparecem acabam roubando a cena.

Nesse ponto percebemos que o Netflix conseguiu superar o cinema criando vilões mais impactantes. Vincent D’Onofrio entregou um Wilson Fisk não apenas calculista, mas um personagem cheio de níveis. Apesar de uma participação limitada, o confronto entre ele e Matt foi angustiante em todos os níveis.

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A construção do Justiceiro recebeu um tratamento que nem passou perto das adaptações para o cinema. A forma como foi trabalhada a personalidade e a maneira como Jon Bernthal traduziu tudo isso, transformou a adaptação a melhor. O que dizer de David Tennant com o assustador e ao mesmo tempo cativante Killgrave? Alguém duvida que ele brilhou mais do que Jessica Jones?

Resumindo…

A verdade é que estamos saturados e não temos mais tempo ou paciência para assistir tantos episódios. Precisamos de agilidade e qualidade. Já parou para pensar? São muitos. Para quem acompanha seriados sabe que poderiam ser reduzidos em até 50% o número de episódios e manter um trama mais dinâmica.

Não estou falando que o futuro é apenas a lógica do Netflix, estou apenas pontuando que os canais deveriam reavaliar o formato e seguir exemplos como The Walking Dead, Game of Thrones, Vikings etc. Acabou o tempo do mostro da semana. Precisamos de agilidade!

(Fonte: IMDB, Netflix )

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