Ao contrário do que diz o provérbio, talvez bondade em balde não seja devolvida em barril. Bondade, às vezes, nem sequer é notada. Quanto mais, renda de frutos. Enquanto exerce o papel de bom moço – fora e dentro das telonas –, Robert Pattinson anda provando do pão que o diabo amassou.
Traído pela ex-namorada Kristen Stewart (com o diretor Rupert Sanders, casado e pai de duas crianças), Pattinson teve sua privacidade rasgada em público nos últimos dias. Sua postura, porém, foi a de um verdadeiro gentleman – preferiu ficar recluso, escondido da imprensa, depois de pronunciar o mínimo de palavras sobre o caso.
Não apenas na vida real mas também no cinema, o galã é prova de que entre a gentileza e o louvor, existe um longo hiato. Em Bel Ami – O Sedutor (Bel Ami, 2012), que estreia nesta sexta-feira no país e é adaptado do romance do parisiense Guy de Maupassant, Pattinson encarna a figura de alpinista social.
É a história do ex-soldado George Duroy, que voltou de lutas no deserto e agora trabalha em ferrovias. De família paupérrima de camponeses, não poupa esforços para mudar seu status. Para isso, conta com a ajuda de um amigo de farda, que agora trabalha no jornal La Vie Française. Duroy não possui inteligência ou talento suficiente para manter uma coluna no tal veículo, mas vai usar as habilidades da esposa do amigo, a bela Madeleine (Uma Thurman), que planeja derrubar o governo.
A grande aptidão do rapaz é conquistar mulheres. Por conta disso, vai ocupar o cargo de amante da jovem Clotilde de Marelle (papel da sempre talentosa Christina Ricci, em notável atuação), circunstância que o levará à esposa do dono do jornal, Virginie Rousset (Kristin Scott Thomas).
O que falta a Bel Ami é desordem e calor. Desordem para atear fogo na novela de traições, um grande cenário para cenas de alta voltagem. Cenas que o filme não possui. E calor – humano, de fervilhar – para intensificar as reviravoltas da trama. Ao invés disso, a dupla estreante de diretores (formada pelos ingleses Declan Donnellan e Nick Ormerod) prefere esfriar a temperatura das desventuras de seu protagonista.
Enquanto Pattinson desenvolve o lado mais perverso do personagem, tudo vai relativamente bem. O problema é quando sua figura de bom moço fala mais alto. A explicação para isso vai além do fato de Duroy ser tudo menos afável. Ela indica que a elegância e os bons modos andam escassos. O que se quer, mais do que nunca, é puro caos. Não à toa, Pattinson – coitado – anda de mal a pior em meio a tanto embaraço.












Gostei do filme.
É boa a interpretação de Robert Pattinson…. Ele vem crescendo a cada filme.
E não tem nada haver com a relação dele com a ex-namorada, não entendi a comparação.
Gostei do texto, o autor fugiu da chatice de ficar analisando ponto por ponto. Usou um fato atual pra dar nó com a opinião sobre filme. E ainda foi otimista… Achei o filme uma droga! Parabéns pelo texto, escreve perfeitamente bem!
Robert cada dia supera a minha expectativa arrebenta nesse filme lindo sedutor, ñ merece o que esta passando mais vai dar a volta por cima.