Os Vingadores faz jus aos personagens que utiliza
e redefine o padrão do filme de super-herói
O filme de super-herói, assim como qualquer outro, possui suas próprias amarras e demônios a exorcizar. Prova disso são as inúmeras adaptações que escorregaram nos conceitos qualitativos que diferenciam o bom e o mau exemplar. O universo dos quadrinhos é imenso. Parece, aliás, infinito. Mas a indústria cinematográfica bate tanto em sua tecla que, como recurso limitado, ele começa a aparentar certo desgaste. Super-herói, é preciso lembrar, não nasce em árvores. Muito menos, bons filmes baseados em suas figuras.
Da última leva, poucos foram aqueles que se destacaram no cenário. Pior: poucos conseguiram aproveitar a oportunidade de pegar uma história fadada ao sucesso e transformá-la em um produto de qualidade. O herói com superpoderes é infalível. É um canal cheio de possibilidades diante de uma tela de cinema – sejam elas físicas ou morais.
São inúmeras as diretrizes a serem seguidas a partir de um simples argumento – como o do sujeito comum que, subitamente, enfrenta grandes mudanças ao receber dádivas sobrenaturais. Analogias, menções e até mesmo críticas à sociedade surgem de filmes baseados em HQs. Não porque seus realizadores são algo como gênios (embora alguns até demonstrem talento devastador), mas pelos próprios quadrinhos, que foram escritos em moldes não somente fictícios. Apenas os universos são paralelos à realidade. Todo o corpo é baseado em acontecimentos mundanos.
O principal erro vem dos roteiros. Manter uma linha de raciocínio coerente, enquanto a ação acontece ao redor da trama, parece ser a grande dificuldade. Mas há aqueles que acertam em cheio: conseguem equilibrar, de maneira eficaz, todos os elementos que incorporam o gênero. Que é o caso de Os Vingadores (The Avengers, 2012), desde sexta-feira em cartaz em todo o país, que reúne uma trupe de peso: Capitão América, Hulk, Homem de Ferro, Viúva Negra, Thor e Gavião. Aqui, eles vão precisar se unir – perante uma convocação do diretor da S.H.I.E.L.D, Nick Fury (Samuel L. Jackson) – para evitar que Loki, irmão de Thor, e seu exército destruam a Terra.
Um prato cheio para os fãs de quadrinhos. E para os não fãs também, já que o filme utiliza uma linguagem acessível ao espectador sem nenhum conhecimento prévio. Ou com conhecimento limitado, considerando que quatros dos seis personagens já deram as caras em filmes solo – Hulk, por sinal, apareceu duas vezes (e parece não ter agradado em nenhuma, pois nem Eric Bana nem Edward Norton o interpreta aqui, que é vivido por Mark Ruffalo). Jeremy Renner, como Gavião, que fez só uma rápida aparição em Thor, e Scarlett Johansson na pela da Viúva Negra são os inéditos do grupo – embora a moça já tenha encarnado a personagem na continuação de Homem de Ferro.
Além de utilizar uma boa linguagem, o diretor e roteirista Joss Whedon (criador do extinto seriado Buffy – A Caça Vampiros e experiente no mundo das HQs) consegue dividir corretamente a atenção dada aos heróis. O roteiro nem embarca demais nas histórias passadas de cada um nem deixa tudo à deriva. Não só aí, como durante todo o tempo, o ritmo é bem dosado e o filme tem cadência: as cenas de ação são impecavelmente realizadas e integram boa parte dos 142 minutos, que passam rapidamente devido à boa utilização da metragem.
Um equilíbrio eficiente de ação e conteúdo, Os Vingadores encontra a maneira perfeita de fazer bom uso de tanta substância. Afinal, se um super-herói já é capaz de sustentar, facilmente, uma obra e levar tanta gente ao cinema, o que dirão seis. Fator que não tira o grande mérito de Whedon, que se preocupou não apenas em realizar um filme de super-heróis mas também de fazer, antes de mais nada, um bom filme.












Excelente crítica, uma das melhores que vi até agora a respeito do filme. Parabéns!!!