Pipocas! Que visual…
Dono de uma técnica impressionante, As Aventuras de Tintim, de Spielberg, ganha o espectador por transformar o incrível em algo palpável
O grande motivo que levantou várias denúncias à série de histórias “Les Aventures de Tintin”, criada em 1929 pelo belga Hergé, foi a reedição de muitas de suas obras. Hergé era, frequentemente, acusado de estar propagando racismo, tortura de animais, misoginia e até mesmo fascismo em seus trabalhos. Boa parte dos acusadores, entretanto, culpava apenas alguns pontos de vistas, inocentando a série como um todo.
É de se considerar, todavia, que o período no qual Tintim ganhou vida era repleto de censura e qualquer desvio de comportamento, tido como afronta. Antes da morte de seu autor, os direitos do personagem foram vendidos ao diretor Steven Spielberg, que planejava esta adaptação para o cinema há mais de duas décadas. E agora, com ajuda de Peter Jackson, finalmente lança seu Tintim.
As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin, 2011), que estreia nesta sexta-feira em todo o país, é uma animação de visual sublime e aventura incessante. É também uma adaptação fidelíssima, tratada – ao que tudo indica – com muito zelo e cuidado por seu diretor.
O projeto inicial era um filme de live action, com atores de carne e osso. Mas Jackson, que será o responsável pelo longa seguinte, convenceu Spielberg a realizar esta animação feita em performance capture, em que atores usam roupas especiais e têm seus movimentados traduzidos para o modelo digital – aqui, sob o comando da mesma equipe responsável pela trilogia O Senhor dos Anéis.
A trama gira em torno do garoto Tintim (feito pelo excepcional Jamie Bell), um jornalista investigativo que vive se arriscando para desvendar enigmas junto com seu cachorro Milou. Depois de comprar um navio em miniatura, o menino é logo surpreendido por um policial que o alerta sobre os problemas que aquele objeto histórico vai causar a ele.
Não demora muito para que o jovem seja perseguido pelo vião Sakharine (Daniel Craig), que está atrás do tal item misterioso. Para ajudá-lo nessa busca por respostas, Tintim vai contar com a ajuda de Sir Francis Haddock (Andy Serkis, que deu vida a vários personagens de performance capture, como Gollum, King Kong e, recentemente, o Caesar de Planeta dos Macacos: A Origem), um capitão navegador que está sempre bêbado.
O filme ainda traz uma porção de personagens vindos das histórias – os detetives Dupond e Dupont são, particularmente, as inclusões mais bem-sucedidas. Além de um ritmo contínuo nas sequências de aventura, que estão presentes durante todo o tempo, e um humor que – embora às vezes um tanto enferrujado – funciona por conta de personagens realçados pelo bom roteiro.
Entre todos os acertos, porém, não há nada mais arrebatador em As Aventuras de Tintim que sua técnica impecável. É tudo tão rico em detalhes que a obra até permite que o espectador embarque nas viagens de Tintim sem considerar que tudo aquilo pode ser – e deve ser – fruto da imaginação de um garoto. Esta tem sido, de fato, a aposta das grandes animações: transformar o imaginário em algo perfeitamente palpável.









é incontestável a qualidade técnica dessa animação, sem dúvida efeitos de primeira.
Mas quero levantar o ponto negativo do filme. Achei a história muito corrida, era muita coisa pra pouco tempo que poderia ter sido melhor dividido, na minha opinião.
No mais, é a obra que merece e vai ganhar o Oscar de Melhor Animação.
Parabéns pelo texto.
Esperamos mesmo que leve o Oscar de Animação, pois – como você disse – o filme merece.
Muito obrigado pelo elogio! Continue acessando o Sintoniza. Abraço.
Acabei de assistir ao filme e nossa! Que surpresa agradável!
Assisto Tintim desde pequeno e apesar de Steven Spielberg e Peter Jackson serem dois dos meus diretores favoritos, ainda assim fiquei com a pulga atrás da orelha, por se tratar de algo do meu ponto de vista, imutável. Não gosto quando fazem mudanças demais para poder passar a tela do cinema.
Mas neste, a forma como o filme ganhou vida me surpreendeu de cabo à rabo. Impressionante como esses dois diretores me surpreendem mais e mais a cada dia que passa.
Ótima review!