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Contra o Tempo – Review

Posted on setembro 30, 2011

Realidade alternativa

Misturando ação incessante com inteligência, o excelente Contra o Tempo confirma o talento do diretor Duncan Jones

Um soldado tem a missão de voltar cronologicamente no tempo para investigar um atentado terrorista e tentar evitar um próximo. Por meio de um programa experimental do governo, Colter (Jake Gyllenhaal) tem, a cada retrocesso, apenas oito minutos para estudar o ambiente e encontrar o criminoso, antes que a bomba seja detonada dentro do trem e ele, mandado de volta ao Castelo Beleaguered – uma espécie de centro de comunicação.

Dirigido por Duncan Jones (diretor que virou promessa há dois anos, depois da boa ficção Lunar, estrelada por Sam Rockwell), Contra o Tempo (Source Code, 2011), que estreia nesta sexta-feira no país, é mais que apenas um longa de ação e correria – como seu título nacional anêmico promove –, pois insere um aspecto essencial em seu desenvolvimento: o ser humano.

Em menos de uma hora e meia de projeção, é curiosamente delicioso ver a mutação pela qual a obra passa. O que seria uma viagem no tempo termina como um estudo – quase uma tese – sobre o sentimento humano e a realidade alternativa. Nunca Jones, como diretor de personalidade marcante, contenta-se em introduzir somente um quê humano na obra ficcional. Faz exatamente o contrário: adiciona uma quantidade moderada de ficção num filme sobre o ser humano.

Para fundamentar, o diretor tem o cuidado de explicar – assim como o roteiro propõe – tudo minunciosamente, e não exigir do espectador uma resposta cognitiva para todas as questões levantadas.

No meio da história entram Michelle Monaghan, como a colega de trabalho do professor do qual Colter toma posse do corpo (ao voltar no tempo, assume o lugar de outrem, da pessoa que mais se adéqua aos seus estereótipos), e Vera Farmiga, no papel da soldado que orienta o protagonista por meio de uma transmissão exibida no tal centro de comunicação.

A eficiência de Gyllenhaal é notável, assim como o talento da dupla feminina. E se Contra o Tempo termina como um dos melhores e mais originais filmes dos últimos tempos, é mérito de Jones, que mistura impecavelmente a ação contínua com a sensibilidade humana. O efeito disso é um filme que enquanto empolga, desperta o cérebro – coisa rara.

Review: Amizade Colorida



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